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Histórico - 1971 a 1979

"Onde a Arena vai mal..."

Nos dois primeiros campeonatos nacionais, a CBF organizou ainda a segunda divisão, mas sem promoção ou rebaixamento. Villa Nova (MG) e Sampaio Corrêa foram os campeões da Segundona, respectivamente, em 1971 e 1972. Mas já no ano seguinte a bagunça começou.

Interessados em desviar a atenção dos problemas de repressão e censura característicos do regime militar, o futebol foi uma das formas encontradas para acalmar a opinião pública. Foi nessa época que o almirante Heleno Nunes, presidente da então CBD, soltou a famosa declaração: "Onde a Arena vai mal, um clube no Nacional". A Arena, Aliança Renovadora Nacional, era o partido político mais forte do regime.

Os 26 clubes que disputavam o Brasileirão em 1972 passaram então para 40 no ano seguinte, chegando a 54 em 1976, 74 em 1978, e incríveis 94 em 1979. Naquele ano, os clubes de São Paulo alegaram a superposição do calendário com os estaduais, e, por esse motivo, todos desistiram de disputar a "maratona" de jogos. Apenas Guarani e Palmeiras, campeão e vice de 78, entraram na terceira fase do campeonato daquele ano.

1971
O Campeonato Brasileiro nasceu de uma evolução da Taça de Prata, o popular Robertão, torneio criado em 1967 a partir do Rio-São Paulo. De um lado, a imprensa da época acreditava que tudo fazia parte de um processo de reestruturação, que após o fraco desempenho na Copa de 66, era visto como necessário.

Mas essa evolução também teve um forte caráter político. Incluiu times no Nordeste, do Sul e de Minas Gerais visando principalmente a reeleição do presidente da então CBD. Começamos com 20 times disputando a primeira divisão.

Eles foram divididos em dois grupos de dez, que participaram de dois turnos. No primeiro, todos jogaram dentro do próprio grupo, e no segundo, jogaram contra os times da outra chave. Os seis primeiros colocados de cada grupo passaram para a segunda fase, composta por três grupos de quatro equipes. Todos jogaram contra todos em turno e returno, e o campeão de cada um desses grupos disputou um triangular final, em turno único.

Tanto nesse ano como no ano seguinte foi disputado também a segunda divisão, mas como se tratava de uma experiência nova e não haviam critérios definidos, ninguém pensou em rebaixamento.

A disputa foi acirrada e teve um campeão surpreendente. Todos apostavam no Santos de Pelé, que há pouco mais de um ano tinha sido campeão mundial. Acabou dando Galo, de Telê e Dadá.

1972
Passamos para 26 times, divididos em dois grupos de sete e mais dois de seis. Todos jogaram contra todos, e os quatro primeiros colocados de cada um passaram para a segunda fase, composta por quatro grupos de quatro. Depois de um turno único, o campeão de cada um deles disputou as semifinais, em partida única.

Naquele ano, já se apontavam as principais dificuldades do novo campeonato nacional: a começar pelo aumento gradativo no número de participantes, baseado apenas em critérios políticos. Definidos os times, era preciso ainda definir a tabela num prazo relativamente curto.

Além disso, naquela época, deslocar-se entre uma cidade e outra, principalmente no interior do Brasil, não era tarefa das mais simples. Entre todos, quem se saiu melhor foi a Academia: o Palmeiras de Ademir da Guia chegava ao título.

1973
O lema começou a ganhar força a partir deste ano. Eram 40 clubes na primeira e única divisão do futebol nacional. Todos disputaram o primeiro turno da primeira fase divididos em dois grupos de 20. No segundo turno da primeira fase, os mesmos 40 times foram divididos em outros quatro grupos de 10.

Os 20 melhores da primeira fase contando o desempenho nos dois turnos se classificaram para segunda fase. Os pontos foram zerados e os 20 restantes foram novamente reagrupados em dois grupos de 10. Os times jogaram dentro do seu próprio grupo em um único turno e os dois primeiros de cada um disputaram um quadrangular final, também em um turno só.

Foi em 1973 que surgiu o primeiro bicampeão da história do Campeonato Brasileiro. Com poucas mudanças em relação ao ano anterior, o Palmeiras conquistava o seu segundo título.

1974
Continuamos com 40 times, que foram divididos em dois grupos de 20 na primeira fase. todos jogaram contra todos dentro de cada grupo, em turno único. Passaram para a segunda fase os 22 de melhor pontuação independente do grupo, e mais dois - Nacional/AM e Fluminense - por um critério até então inédito: a maior renda nos jogos.

Os 24 times restantes foram divididos em quatro chaves de seis, e após um turno único em cada chave, os campeões de cada um deles disputaram um quadrangular final. O Vasco, de Roberto Dinamite - e de outros craques cruzmaltinos que ficaram de fora da Copa do Mundo na Alemanha, chegou a decisão diante do Cruzeiro e reuniu mais de 110 mil pagantes no Maracanã.

Também foi a última oportunidade para o Rei Pelé tentar a inédita conquista do Campeonato Brasileiro vestindo a camisa do Santos. Chegou bem perto: o Peixe terminou a competição em terceiro lugar.

1975

Agora já são 42 times, e mais um detalhe interessante: uma vitória valia dois pontos, mas com dois ou mais gols de diferença, valia três. A fórmula mirabolante não acabava aí: na primeira fase, eram dois grupos de dez e outros dois de onze clubes.

Para a segunda fase, os cinco primeiros colocados entravam nos grupos 1 e 2. Os outros foram redistribuídos em dois de cinco (grupos 3 e 4) e dois de seis (grupos 5 e 6). Os seis melhores dos dois primeiros grupos passaram para a terceira etapa. Quanto ao outros, uma espécie de repescagem, apenas os vencedores se classificaram.

Deu para entender? Ainda tem mais. Os dezesseis classificados foram divididos em mais dois grupos de oito, que jogaram entre si em turno único. O campeão e o vice de cada grupo disputaram as semifinais. O Inter de Porto Alegre passou por toda essa brincadeira, completando 30 jogos até chegar ao seu primeiro título.

1976
Mais uma vez, vitória com mais de dois gols de diferença valia três pontos. Mas desta vez, já eram 54 times. Os participantes foram distribuídos em seis grupos de nove equipes. Todos eles passaram para segunda fase, sendo que os quatro primeiros de cada um formaram quatro grupos de seis times. Desses novos grupos, os três primeiros passariam para a terceira fase. Já os times que ficaram do 5º ao 9º lugar nos grupos da primeira fase formaram outros seis grupos de cinco clubes cada na segunda fase, e apenas o vencedor disputaria a terceira fase.

Esta nova etapa uniu os classificados em duas chaves de nove times. Todos jogaram entre si em turno único, e o primeiro e segundo colocados de cada uma delas disputaram as semifinais. Das cinco equipes favoritas ao título, apenas o Flamengo ficou de fora. A decisão para a finalíssima ficou, de um lado, entre Colorado e Galo, e do outro, entre Corinthians e Fluminense.

O último, aliás, protagonizou um dos momentos inesquecíveis da história do Campeonato Brasileiro: a Invasão do Maracanã, quando mais de 70 mil fiéis corintianos empurraram o time para a decisão do campeonato. Mas a força da torcida não impediu o Inter de chegar ao bicampeonato.

1977
Já estamos em 62 participantes. E mais: qualquer vitória por três gols ou mais marcados valiam três pontos. Muita atenção com o regulamento

Neste campeonato, tivemos a primeira fase com quatro grupos de 10 e outros dois de 11 times. Todas as equipes passaram para a segunda fase, mas os cinco primeiros colocados de cada grupo formaram os grupos G, H, I, J e L, que classificariam os três primeiros para a terceira fase. Os times que não se sairam tão bem na primeira fase formaram os grupos M, N, O P, Q e R, que classificava apenas o vencedor para a terceira etapa.

Nesta fase, os 24 classificados foram reunidos em quatro grupos de seis, que jogaram entre si em turno único. Os vencedores de cada um deles disputaram as semifinais, pela primeira vez, em jogos de ida e volta. Mas a decisão, do contrário, foi feita em um único jogo, reunindo Atlético/MG e São Paulo. Depois de tantos jogos, o Galo tinha oito pontos e quinze gols a mais que o São Paulo. Mas no futebol, nem sempre o melhor vence.

1978
Agora já são 74 times, que fizeram um campeonato brasileiro inesquecível sob vários aspectos. Somando tudo, temos 20 grupos em suas três fases, resultando em 792 partidas disputadas em apenas quatro meses. Não a toa, foram incríveis 1771 gols marcados.

Os clubes começaram a competição formando dois grupos de 13 e mais quatro grupos de 12 times. Esses clubes jogaram todos contra todos dentro do próprio grupo num único turno. Todas as equipes passaram para a segunda fase, mas as seis primeiras colocadas de cada um deles se reagruparam formando os grupos G, H, I e J com nove integrantes em cada um deles. Nestes grupos, os seis primeiros passariam para a terceira fase. Nos outros grupos da segunda fase (K e L, com sete equipes, M, N, O e P, com seis) formado pelos outros times, apenas o vencedor de cada um passaria para a terceira fase. Esta etapa foi formada por 4 grupos de oito equipes.

Os dois primeiros colocados de cada um dos grupos se classificavam para as quartas-de-final. Daí pra frente, "mata-mata" em jogos de ida e volta. Guarani e Palmeiras sobreviveram a tudo isso e fizeram a final que deu o primeiro título brasileiro a uma equipe do interior.

1979
Um recorde absoluto de participantes até 2000: no auge do regime militar, a politicagem conseguiu inflar o Nacional para 94 times. A primeira fase foi disputada por 80 deles, divididos em oito grupos de dez, que jogaram em um único turno.

Na segunda etapa, participaram 44 times classificados da primeira etapa e mais 12 times vindos dos campeonatos paulista e carioca. Mesmo entrando no meio, os clubes grandes da capital paulista não toparam a maratona e desistiram de participar. As 56 equipes foram reunidas em 7 grupos de oito clubes e foram classificados para a terceira fase os dois primeiros colocados de cada um deles.

Esses 14 times se uniram a Guarani e Palmeiras, campeão e vice do ano anterior, e formaram quatro grupos de quatro. O campeão de cada um desses grupos disputou as semifinais, em jogos de ida e volta. O Verdão, comandado por Telê Santana, jogou portanto apenas cinco vezes. Venceu três e despontava como favorito ao título, até esbarrar no Internacional nas semifinais. O campeão sairia daquele confronto, apontavam na época. E foi o que aconteceu.

Os 94 times de 1979
ABC
América-RN
Atlético-MG
Botafogo-PB
Caldense
Caxias
Colorado
Coritiba
CSA
Ferroviário-CE
Fluminense-BA
Goiânia
Guará
Itabaiana
Juventude
Maringá
Náutico
Operário-PR
Potiguar
River
São Paulo-RS
Treze
Vasco
XV Jaú
América-MG
Anapolina
Atlético-PR
Botafogo-RJ
Campinense
Ceará
Comercial-MS
CRB
Desportiva
Figueirense
Fortaleza
Goiás
Guarani
Itabuna
Leônico
Mixto
Novo Hamburgo
Palmeiras
Remo
Sampaio Correa
Sergipe
Tuna Luso
Vila Nova-GO
XV Piracicaba
Americano
ASA
Avaí
Brasil
Campo Grande
Central
Comercial-SP
Criciúma
Dom Bosco
Flamengo
Francana
Goytacaz
Internacional
Itumbiara
Londrina
Moto Clube
Operário-MS
Paysandu
Rio Branco-ES
Santa Cruz
Sport Recife
Uberaba
Villa Nova-MG
América-RJ
Atlético-GO
Bahia
Brasília
Capecoense
Colatina
Confiança
Cruzeiro
Fast Clube
Fluminense
Gama
Grêmio
Internacional-SP
Joinville
Maranhão
Nacional
Operário-MT
Piauí
Rio Negro
São Bento
Tiradentes
Uberlândia
Vitória-BA

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