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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .CAMPEONATO BRASILEIRO

Histórico - 1980 a 1986

Taça de prata

Em 1980, com o desmembramento da CBD e a criação da CBF, os clubes mais tradicionais exigiram a realização de um campeonato brasileiro de verdade. Nasceu então a Taça de Ouro, que contou com 40 clubes. As equipes excluídas da primeira divisão disputaram a Taça de Prata, uma espécie de segunda divisão.

Funcionava assim: os quatro primeiros colocados da primeira fase disputavam a segunda fase da Taça de Ouro no mesmo ano. Os outros times permaneciam na disputa do título da "Segundona", conquistando outras vagas para o ano seguinte. O sistema permaneceu praticamente o mesmo até 1985, com duas exceções: em 1983, não houve promoção para o ano seguinte para o vencedor da Taça de Prata. E em 1985, com o nome de Taça CBF, apenas o campeão - a Tuna Luso - foi promovido para a primeira divisão em 1986.

A partir de 1981, os 40 clubes que disputavam a Taça de Ouro eram determinados da seguinte forma: 13 estados entravam com seus campeões, sete participavam com o campeão e o vice; São Paulo contava com os seis melhores classificados do Paulistão e o Rio, com os cinco melhores do seu estadual. As outras duas vagas eram ocupadas pelos campeões da Taça de Ouro e Prata do ano anterior.

Assim, o Palmeiras ficou de fora da "primeira divisão" em 1981 e 1982, entrando na Taça de Prata. Em 1981, o Verdão conseguiu chegar à Taça de Ouro no mesmo ano, o que não ocorreu em 1982. O mesmo aconteceu com o Corinthians, mal no Paulistão de 1981, mas que subiu no mesmo ano (82) para a competição principal.

Até aí, tudo dentro do regulamento. Mas em 1983, o Santos, que terminou o Campeonato Paulista do ano anterior em oitavo lugar, recebeu um convite da CBF para entrar direto na Taça de Ouro. O mesmo aconteceu com o Vasco, no ano seguinte: nono lugar no Estadual do Rio, entrou na chave principal da mesma forma. "Tem muita gente mal informada", dizia Giulite Coutinho, presidente da CBF, em 1982, explicando a presença do Santos.

"Deixamos claro que o Rio não poderia ter sete clubes na competição, já que teríamos os cinco primeiros do ano além do Flamengo, campeão da Taça de Ouro, e o Campo Grande, da Prata. O Santos ocupou a vaga do Flamengo porque, depois de um estudo detalhado, chegou-se à conclusão de que, entre os não classificados, era o time de melhor retrospecto técnico em todas as edições do Brasileiro".

Melhor para o Peixe de Serginho Chulapa e o Vasco, de Roberto Dinamite, que chegaram ao vice-campeonato, respectivamente, em 1983 e 1984.

1980
Chega de inchaço no Nacional por conta do regime militar. A CBD deu lugar a CBF e as divisões nacionais foram reorganizadas, passando a existir a Taça de Ouro, a Taça de Prata e a Taça de Bronze, equivalentes a primeira, segunda e terceira divisões. Acabou a palhaçada: nascia ali um campeonato brasileiro de verdade!

A Taça de Ouro foi disputada por 40 times, divididos em quatro grupos de dez. As sete primeiras equipes de cada um passaram para a segunda fase e se juntaram aos quatro primeiros colocados da Taça de Prata, a segunda divisão. As 32 equipes foram reorganizadas em oito grupos de quatro, jogando entre si em jogos de ida e volta. As duas primeiras colocadas passaram para a terceira fase, formada por quatro grupos de quatro times, que jogaram entre si em turno único.

Os vencedores de cada um dos grupos passaram para as semifinais, e daí em diante, o tradicional mata-mata em sistema de ida e volta. A Taça de Prata classificava quatro times para a primeira divisão no mesmo ano, e mais um no ano seguinte. Permaneceu assim até 1983.

A reestruturação do futebol brasileiro pode não ter dado certo no futuro. Mas dentro de campo, os craques faziam a sua parte. Tanto que os finalistas eram nada menos que Flamengo, de Zico e Nunes, e Atlético/MG, de Reinaldo e Éder.

1981
Pela primeira vez, os campeonatos estaduais serviram como classificação para a Taça de Ouro. Assim, o Palmeiras, bicampeão brasileiro, teve que disputar a Taça de Prata neste ano e no seguinte. Ainda nas divisões inferiores, a Taça de Bronze deixou de existir, isto é, não tivemos terceira divisão entre 1981 e 1986.

Os mesmos 40 clubes do ano anterior eram definidos da seguinte forma: 13 estados entravam com seus campeões, sete participavam com o campeão e o vice; São Paulo contava com os seis melhores classificados do Paulistão e o Rio, com os cinco melhores do seu estadual. As outras duas vagas eram ocupadas pelos campeões da Taça de Ouro e Prata do ano anterior.

Na forma de disputa, oucas mudanças em relação ao ano anterior. Até a segunda fase, tudo igual: quatro grupos de dez, classificam sete de cada, junta os quatro primeiros da Taça de Prata, formam oito grupos de quatro, jogam entre si até restarem os dois melhores de cada um.

Mas ao invés de terceira fase, com quatro grupos de quatro, desta vez o mata-mata começou das oitavas-de-final. Naquele ano, surgia no cenário nacional um especialista em jogos decisivos, cuja principal receita dentro de campo era a raça e determinação: o Grêmio.

1982

Agora, os 40 times da Taça de Prata foram divididos em oito grupos de cinco, jogando entre si em turno e returno. Os três primeiros colocados de cada um deles passaram para a segunda fase, além dos quatro times de melhor índice técnico não classificados e dos quatro da Taça de Prata.

Os 32 clubes que disputaram a segunda fase foram agrupados em oito grupos de quatro, que jogaram entre si no sistema de ida e volta. Os dois primeiros colocados de cada um deles se classificaram para as oitavas-de-final. Na partida final, pela primeira vez tivemos três partidas. Decisão, aliás, sem qualquer prognóstico, envolvendo Grêmio e Flamengo.

O critério de classificar equipes para a Taça de Outro pelos estaduais prejudicou outro clube grande: o Corinthians, que teve que entrar na Taça de Prata daquele ano. Mas não apenas foi promovido no mesmo ano como ainda terminou o Brasileiro em quarto lugar.

1983

Naquele ano, o vice-campeão Santos terminou o Campeonato Paulista do ano anterior em oitavo lugar. Mas recebeu um convite da CBF para entrar direto na Taça de Ouro, graças ao seu "retrospecto técnico", segundo o então presidente da CBF, Giulite Coutinho. O mesmo aconteceu com o Vasco, no ano seguinte: nono lugar no Estadual do Rio, entrou na chave principal da mesma forma. Os dois seriam finalistas e vice-campeões nacionais.

A forma de disputa foi a mesma dos dois anos anteriores. A primeira fase também teve oito grupos de cinco equipes cada, e a segunda, com oito grupos de quatro. Só que antes do mata-mata decisivo, os dois primeiros colocados de cada grupo da segunda fase passaram para uma terceira, com quatro grupos de quatro equipes jogando entre si em turno e returno. Aí sim saíram os classificados para as quartas-de-final.

1984

A primeira fase da Taça de Ouro contou mais uma vez com oito grupos de cinco, com turno e returno, igualzinho aos anos anteriores. Mas apenas 28 times disputaram a segunda fase, os três melhores de cada grupo e mais quatro, decididos num mata-mata entre os quartos colocados. Nesta fase, os times foram divididos em sete grupos, jogando entre si em turno e returno. Disputaram a terceira fase os dois primeiros colocados de cada chave, a equipe de melhor índice técnico entre os restantes e o Uberlândia, que havia conquistado a então Taça de Prata deste ano.

Nessa etapa, foram constituídos quatro grupos de quatro times, que jogaram entre si em sistema de ida e volta. Apenas os dois primeiros colocados de cada um desses grupos disputaram o mata-mata das quartas-de-final. Neste ano, auge do futebol carioca, dois times do Rio de Janeiro fizeram a decisão do Campeonato Brasileiro.

1985

A Copa Brasil ainda era subdividida, mas o regulamento deixava de ser o mesmo. A Taça de Prata mudou de nome para Taça CBF, e o seu campeão - a Tuna Luso - foi promovido para a primeira divisão apenas no ano seguinte, Ao todo, 44 clubes disputaram o torneio principal, sendo que os vinte principais foram divididos em dois grupos de dez, e o restante em outros dois, com 12 times. Após dois turnos em cada grupo, os quatro vencedores de cada turno, além dos outros dois clubes com melhor índice técnico na primeira etapa, passaram para a segunda fase, formada por quatro grupos de quatro.

Os vencedores desses quatro grupos, após jogos em sistema de ida e volta, disputaram as semifinais. Entre eles, apenas a presença do Atlético/MG não era surpresa alguma. E o que dizer de Brasil de Pelotas, Bangu - apoiado pelo então chefe do jogo do bicho Castor de Andrade - e Coritiba - do técnico bicampeão brasileiro Ênio Andrade. Nos pênaltis, deu Coxa.

1986
Para evitar prejuízos financeiros, os clubes começaram a se mexer em torno do Campeonato Nacional no ano anterior. Assim como no ano anterior, tivemos uma espécie de segunda divisão, batizada de "Torneio Paralelo". Os 44 times que começaram a primeirona foram divididos, na primeira fase, em quatro grupos de 11, jogando entre si em turno único.

Os seis primeiros de cada grupo passaram para a segunda fase junto as quatro equipes de melhor índice técnico independente do grupo, além dos vencedores dos quatro grupos do Torneio Paralelo. Ou seja, 32 times formariam a fase final da Copa Brasil. Mas ao término da primeria fase, uma sequência de situações quase puseram o campeonato por água abaixo.

O Joinville buscava os pontos do empate por 1 a 1 contra o Sergipe, em função do doping do jogador Carlos Alberto. A medida tiraria a vaga do Vasco da Gama. Para não causar discussão, uma decisão do Conselho Nacional de Desportos, o CND (futuro Indesp, extinto em 2000), colocou os dois na segunda fase. Seriam, portanto, 33 times. A bagunça foi concluída após outra decisão, esta dos clubes, que puseram outros três para compor as quatro chaves de maneira equivalente: Santa Cruz, Náutico e Sobradinho, de Brasília.

Assim, foram 36 times na fase final, reagrupados em quatro chaves de nove e jogando em dois turnos dentro do próprio grupo. Os quatro primeiros de cada grupo passaram a disputar as oitavas-de-final, mata-mata em sistema de ida e volta. Depois do imbroglio, o campeonato, vencido pelos "menudos" do São Paulo, só terminou em fevereiro de 1987.

Ironicamente, algumas semanas antes, o então presidente da CBF Otávio Pinto Guimarães havia declarado que "não haveria virada de mesa na Copa Brasil". Da mesma forma, o CND, presidido por Manoel Tubino, havia elaborado uma série de medidas com o intuito de moralizar o futebol brasileiro: duas divisões a partir de 87, a primeira com 24 clubes, número que seria reduzido a 20 em 1988 com a presença, pela primeira vez, do rebaixamento.

Os campeões da Taça de Prata

Ano

Campeão

Vice

Promovidos no mesmo ano

Promovidos no ano seguinte

1980

Londrina

CSA

Sport, América/RP, Americano e Bangu

Londrina e CSA

1981

Guarani

Anapolina

Palmeiras, Uberaba, Bahia e Náutico

Guarani

1982

Campo Grande (RJ)

CSA

Corinthians, América/RJ, São Paulo/RS e Atlético-PR)

Campo Grande

1983

Juventus

CSA

Uberaba, Guarani, Botafogo/RP e Americano

Nenhum

1984

Uberlândia

Remo

Uberlândia e Remo

Uberlândia

1985
(Taça CBF)

Tuna Luso

Goytacaz

Nenhum

Tuna Luso

 

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