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Histórico - 1993 a 2000

Hoje tem Copa JH? Tem, sim senhor!

Foi um período rico em viradas de mesa. As divisões inferiores não foram disputadas em 1993, sendo reorganizadas pela CBF no ano seguinte. A proteção aos grandes via regulamento deixou de existir já em 1994, com o campeonato que passou a manter 24 clubes na Série A. Mas a mesa não demoraria a virar.

Em 1996, o Fluminense terminou a competição em penúltimo lugar, à frente apenas do Bragantino. Mas antes do início do campeonato de 1997, estourou o chamado escândalo da arbitragem, onde o então diretor da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (Conaf), Ivens Mendes, aparecia em supostas negociações de favores a clubes.

O episódio contribuiu para que a CBF rasgasse o regulamento, segurando Fluminense e Bragantino na primeira divisão. Favorecido nos bastidores, o Tricolor carioca não aproveitou a segunda chance e foi rebaixado, mais uma vez amargando a penúltima posição. Com ele, foi o Bahia, que havia sido campeão em 1988. O Bragantino também caiu, mas apenas no ano seguinte, em 1998.

Apesar de tantos mandos e desmandos, nenhum caso envolvendo o Campeonato Brasileiro conseguiu reunir tantos elementos vergonhosos de uma única vez. A Copa João Havelange, disputada em 2000, certamente representou a mais escandalosa confusão do futebol brasileiro.

Tudo começou com o Brasileirão de 1999. Em uma nova tentativa de preservar os grandes clubes e evitar o que havia ocorrido com Fluminense e Bahia em 1997, a CBF instituiu o rebaixamento por média: as quatro equipes rebaixadas seriam determinadas em um complicado cálculo envolvendo os pontos obtidos nos campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999.

Com isso, o Gama, que terminou a competição na 15ª colocação, caiu. Já o Botafogo, que também corria o risco, se manteve na primeira divisão graças aos pontos ganhos em uma partida contra o São Paulo, em outra polêmica do campeonato: o Tricolor escalou o atacante Sandro Hiroshi, registrado na CBF de maneira irregular.

Em busca dos seus direitos, o Gama buscou forças no sindicato dos treinadores do DF e até no PFL, conseguindo liminar na Justiça comum para voltar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Como os clubes só podem remeter-se à justiça desportiva, a CBF suspendeu o Gama de todas as competições. A partir daí, começou a novela: uma chuva de liminares favorece ora o clube, ora a CBF. Ao mesmo tempo, a Fifa entra na história, proibindo os clubes filiados à CBF de jogar com o Gama.

O resultado foi a Copa JH. Organizado pelo Clube dos 13, a competição reuniu 116 clubes, sendo o maior campeonato nacional já organizado no mundo. Além do Gama, pivô de toda a discussão, os cartolas trouxeram de volta Fluminense e Bahia da segunda divisão. Na época, a CBF justificou a decisão alegando que o campeonato, mantido pelo Clube dos 13, não tinha nada a ver com o Brasileirão. Com a presença garantida, o time do DF retirou a ação na justiça comum, anulando a punição da Fifa.

Caso o Brasileirão fosse realizado normalmente, teríamos 20 clubes em sua primeira divisão, conforme previa o regulamento. Bahia, Fluminense, Juventude e América-MG estariam na Segunda Divisão. Com o retorno do Brasileiro em 2001, essas equipes, além do Botafogo de Ribeirão Preto, permaneceram na primeira divisão, ratificando oficialmente a virada de mesa.

1993
Com o pretexto de uma "reorganização", a CBF trouxe de volta o Grêmio para a primeira divisão, junto com outros 12 clubes, deixando o campeonato com 32 times. Na primeira fase, tivemos quatro grupos de oito. Os grupos A e B, com os grandes clubes do paísm, classificaram seis clubes. Os grupos C e D, com o restante dos times, classificaram somente dois. Na segunda fase, os oito times foram divididos em dois grupos de quatro, jogando num sistema de turno e returno. O primeiro colocado de cada um dos grupos disputou a final. Foram rebaixados os oito clubes com pior índice técnico - com exceção de Atlético/MG, Bahia, Botafogo e Fluminense, que mesmo tendo feito um campeonato horrível, permaneceram na divisão de elite graças ao regulamento.

1994
Prepare-se para entender o regulamento mais esdrúxulo da história: os 24 clubes da primeira divisão foram divididos em quatro grupos de seis na primeira fase, jogando entre si em dois turnos. Os quatro primeiros de cada grupo passaram para a segunda fase, e os dois não-classificados disputaram a repescagem. Os 16 clubes que disputaram a segunda fase foram divididos em dois grupos de oito, jogando em dois turnos, o primeiro com os times do próprio grupo, e o segundo com os times da outra chave. Os vencedores dos dois turnos de cada um dos grupos, os dois de melhor índice técnico e os dois primeiros colocados na repescagem disputaram o mata-mata as quartas-de-final. Os dois últimos colocados da repescagem caíram para a segundona.

1995
Depois da complicação, algo mais simples: os 24 times foram divididos em dois grupos de 12. No primeiro turno, jogaram contra os clubes do mesmo grupo e, no segundo turno, contra as equipes da outra chave. Os dois primeiros colocados de ambos os grupos disputaram as semifinais.

1996
Nesse ano, o campeonato passou a ser disputado num sistema que se manteve bem parecido até o ano passado. As 24 equipes jogaram a primeira fase jogando todas contra todas em um único turno. Os oito melhores passaram para o mata-mata das quartas-de-final, onde se enfrentaram o 1º colocado contra o 8º, o 2º contra o 7º, o 3º contra o 6º e o 4º contra o 5º, em partidas de ida e volta. Para quem não se lembra, 96 foi o ano que o Fluminense e Bragantino fizeram de conta que caíram, mas ficaram.

1997
O rebaixado Fluminense levou a lambança adiante e, de tanto insistir, ficou na primeira divisão ao lado do Bragantino. Com isso, em 97, o Campeonato Brasileiro contou com 26 equipes na primeira divisão.

Todas jogaram contra todas na primeira fase, e as oito melhores disputaram a segunda fase, só que dessa vez, divididas em duas chaves: o grupo A, composto pelos 1º, 4º, 5º e 8º colocados, e o grupo B, formado pelos 2º, 3º, 6º e 7º colocados. Os clubes jogaram dentro dos grupos, em sistema de ida e volta, e os vencedores de cada grupo - o Vasco do "Animal" Edmundo e o Palmeiras de Felipão - fizeram a final.

Aliás, antes do campeonato começar, eram justamente estas as duas equipes que brigavam pela contratação do atacante - mesmo com o campeonato já em andamento. No fim, Edmundo acabou indo para o Rio.

Dessa vez, quatro equipes caíram - entre elas, o Fluminense, mostrando que de nada valeu o esforço no tapetão. Ao seu lado, outro clube grande e detentor de um título nacional: o Bahia.

1998
Campeonato disputado por 24 equipes, num regulamento bem parecido com o de 97: fase classificatória com todos jogando contra todos. A novidade do mata-mata nas quartas-de-final ficou por conta do sistema de "play-offs", importado da NBA, onde os classificados para as fases seguintes seriam determinados em até três jogos.

A idéia, que trouxe mais emoção a fase final, durou apenas dois anos. Curiosamente, nas duas oportunidades, o Corinthians sagrou-se campeão em cima de um time mineiro em três jogos: contra o Cruzeiro, em 98, e diante do Galo, no ano seguinte.

Caíram mais quatro equipes para a segundona, pois de acordo com os interesses da CBF, o Brasileirão em 2000 teria 20 equipes...

1999
O sistema de disputa foi o mesmo do ano anterior: 22 equipes jogaram entre si, em turno único. Os oito melhores disputaram novamente o "play-off", uma melhor de três partidas.

Mas para garantir a presença dos times grandes, foi criada uma nova fórmula para o rebaixamento, levando-se em conta o número de pontos do time na primeira fase do Campeonato Brasileiro de 1998 e na primeira fase do Brasileiro de 1999. Dividiu-se essa soma pelo número de jogos feitos pela equipe nessas duas fases, obtendo a média de pontos. Por muito pouco o Botafogo, um dos grandes, não colocou a idéia de segurar os grandes por água abaixo.

Outro discussão levantada pela competição foi a interferência da televisão no horário das partidas - naquele ano, Globo, Bandeirantes e ESPN Brasil transmitiram as principais partidas. A finalíssima, marcada inicialmente para as 16 horas do dia 21 de dezembro, foi alterada para as 21h40, graças a uma ação cautelar na Justiça impetrada pelo então prefeito de São Paulo Celso Pitta. A idéia era reduzir o trânsito às vésperas do Natal, mas a prefeitura acabou batendo de frente com a TV.

2000
Não há quem não se lembre do Brasileirão desse ano. Botafogo exige os pontos do São Paulo por ter escalado Sandro Hiroshi, Gama entra na justiça comum, entra em rota de colisão com a CBF, Clube dos 13 inventa a Copa João Havelange, que deu lugar ao Brasileirão daquele ano.

Foi o maior maior campeonato nacional de toda a história do país: os 116 convidados, de acordo com o interesse do Clube dos 13, foram divididos em quatro módulos: azul, amarelo, verde e branco Cada um deles correspondeu a uma divisão, mas em tese, qualquer um deles pode ser o campeão brasileiro. Como quase aconteceu com o São Caetano, vice-campeão do Módulo Amarelo, que disputou a decisão.

Tanta bagunça culminou no dia 30 de dezembro de 2000, quando um alambrado do São Januário caiu, ferindo centenas de pessoas que acompanhavam a final entre Vasco e São Caetano. Caso o Brasileirão fosse realizado normalmente, teríamos 20 clubes em sua primeira divisão, conforme previa o regulamento. Bahia, Fluminense, Juventude e América-MG estariam na Segunda Divisão.

O Clube dos 13 argumentou que, como foi um "torneio amistoso", ou seja, nunca mais será disputado, não precisou desta preocupação. Com o retorno do Brasileiro, essas equipes, além do Botafogo de Ribeirão Preto, permaneceram na primeira divisão.

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