O ano 2000 representou um marco na história do futebol
brasileiro. Hora dos cartolas, dirigentes e TV levarem em
conta o apelo dos torcedores e buscar credibilidade. A primeira
tentativa foi feita ainda em 2001, com a criação
do calendário quadrienal - em 2002, os estaduais
deram lugar a torneios regionais, mantendo a disputa do
Brasileiro no segundo semestre. Mudanças também
no panorama futebolístico: a final de 2001, entre
Atlético Paranaense e São Caetano, demonstrou
uma nova realidade no futebol, garantindo o sucesso de times
bem gerenciados.
Mas a experiência do Rio-São Paulo, da Sul-Minas,
além das copas Norte, Nordeste e Centro-Oeste não
durou um ano: já em 2003, os estaduais voltaram à
ativa, mas desfigurados, por conta do tempo: as disputas
regionais ficaram restritas aos meses de janeiro e março.
Atendendo ao apelo da maioria, a competição
mais importante do país adotaria o sistema de pontos
corridos.
Nem por isso o "tapetão" sumiu da disputa:
além dos pontos obtidos em campo, muitas equipes
foram favorecidas e prejudicadas por decisões do
STJD. A Ponte Preta foi a primeira a ter seus pontos "transferidos"
para Juventude e Internacional. Outro grande prejudicado
foi o Paysandu, que perdeu oito pontos e escapou do rebaixamento
na última rodada. Com isso, três pontos foram
atribuídos à Ponte Preta, três ao São
Caetano, dois ao Corinthians e dois ao Fluminense.
2001
Depois da bagunçada Copa João Havelange, o Campeonato Brasileiro
voltou ao comando da CBF. Graças a malfadada competição,
clubes que estariam na segunda divisão - Fluminense, Bahia
e Juventude, por exemplo, voltaram à elite pela porta da
frente.
Ficou decidido que 26 clubes entrariam na competição - os
25 do Módulo Azul da Copa João Havelange, além do Botafogo/SP,
rebaixado em 99. Outros clubes também entraram com seus
recursos para entrar na festa. São Caetano, Paraná e Remo,
além do Malutrom, equipes que disputaram o mata-mata da
competição, além do Náutico, campeão pernambucano. Houve
até liminar na Justiça comum, e quase o torneio é "melado"
de novo.
No final, a pequena "oficialização da virada de mesa", como
muitos definiram o Brasileirão 2001, acabou reunindo 28
equipes - incluidos apenas São Caetano e Paraná, finalistas
do Módulo Amarelo da JH. Na primeira fase todos jogaram
entre si, em turno único. Os oito primeiros colocados se
classificaram para as quartas-de-final e os quatro últimos
- América/MG, Botafogo/SP, Sport e Santa Cruz - foram rebaixados
para a Série B.
Nas quartas-de-final, os times jogaram no sistema de mata-mata,
em jogo único. As equipes de melhor campanha na primeira
fase jogaram em casa e com a vantagem do empate na prorrogação.
Os vencedores avançam às semifinais, disputadas da mesma
forma. Com apenas um jogo para cada lado, os times de melhor
campanha fizeram bonito e seguraram suas vantagens até a
final. São Caetano e Atlético/PR fizeram uma inesperada
decisão de campeonato em dois jogos.
2002
Com duas equipes a menos que 2001, o Brasileirão de 2002
começou com a indefinição entre Figueirense e Caxias. As
equipes, que disputaram uma das vagas para a elite, brigaram
até o último recurso. A equipe catarinense vencia o jogo
decisivo quando a torcida invadiu o gramado, impedindo o
fim da partida. A decisão final acabou favorecendo o Figueirense.
Fora isso, o regulamento foi o mesmo do ano passado: todos
contra todos em turno único, com os oito melhores disputando
o mata-mata e os quatro piores - Palmeiras, Botafogo, Portuguesa
e Gama - rebaixados. Com a diferença que, desta vez, a fase
final foi disputada em dois jogos decisivos. Melhor para
o Santos de Diego e Robinho, que terminaram a fase classificatória
em oitavo lugar e arrancaram rumo ao título nacional derrubando
o poderoso São Paulo, Grêmio e finalmente o Corinthians.
Em 2002, uma novidade entrou em campo: o calendário quadrienal,
assinado por Pelé, Ricardo Teixeira e o então Ministro dos
Esportes do governo FHC, Carlos Melles. No primeiro semestre,
atrativas copas regionais (Rio-São Paulo, Sul-Minas, Nordestão)
daria lugar aos estaduais. No semestre seguinte, o tradicional
Campeonato Brasileiro. Como vimos, o calendário durou apenas
um ano.
2003
Pela primeira vez em toda a sua história, o Campeonato
Brasileiro foi disputado em pontos corridos. A forma de
disputa mais simples em toda sua história: todos
jogam contra todos, e quem marca mais pontos fatura o título.
Sem segredos. Melhor para o Cruzeiro: mais organizado, chegou
a incrível marca de 100 pontos e 102 gols marcados
- com direito a um massacre na última rodada, mandando
o Bahia para a Série B com uma goleada de 7 a 0 na
Fonte Nova. Foram nove meses de disputa, sendo este o mais
longo Brasileirão até então.
A primeira experiência mostrou algumas falhas. Enquanto
o Brasileirão andava a todo vapor, a virada da temporada
européia tirou craques do país, desestruturando
boa parte das equipes. Além disso, uma longa disputa
por apenas quatro vagas na Libertadores, além da
queda de apenas dois clubes, tornaram o Brasileirão
desinteressante para a maioria dos times. Nem mesmo as vagas
na Copa Sul-americana, torneio interclubes do continente
para o segundo semestre, se mostrou atrativo.
2004 / 2005
A fórmula dos pontos corridos foi mantida, tornando
o regulamento do Brasileirão inalterado em relação
ao ano anterior. Ao contrário de 2003, o vencedor
do ano seguinte foi conhecido apenas na última rodada:
o Atlético/PR, líder durante boa parte do
returno, deixou o Santos reagir e conquistar o bicampeonato.
Com quatro rebaixados, a outra ponta da tabela também
mereceu destaque: dois campeões brasileiros caíram
para a Segundona (Guarani e Grêmio).
O mesmo aconteceu em 2005. O torneio, no entanto, ficou
marcado por problemas na arbitragem. Em meio ao campeonato,
o árbitro paulista Edilson Pereira de Souza admitiu
estar envolvido com um site de apostas e as 11 partidas
em que atuou foram anuladas. Ao final da competição,
Corinthians e Inter disputavam o título na última
rodada e os paulistas se sagraram campeões. Na rabeira,
mais dois campeões nacionais na Série B: Coritiba
e Atlético-MG.
2006
Em 2006, o Brasileiro se adaptou totalmente aos "moldes"
europeus, contando com apenas 20 participantes na primeira
divisão e prevendo quatro rebaixados. A busca por
uma das quatro vagas para a Copa Libertadores e para as
oito na Copa Sul-americana também garantiu boas emoções
ao longo da competição. Uma má característica,
contudo, foi mantida: a saída de grandes craques
no meio do campeonato. No torneio, quem deu as cartas foi
o São Paulo, campeão com três rodadas
de antecedência. Dentre os rebaixados, pela primeira
vez em dois anos, nenhum time que ostenta o título
nacional caiu.
2007
O São Paulo não teve dificuldades e confirmou
o seu favoritismo. Os
números não deixam espaço para dúvidas:
com quatro rodadas de antecedência, o Tricolor
já havia garantido o título, o que já se
evidenciava desde a 28ª rodada, quando o time abriu
11 pontos de vantagem sobre o Cruzeiro, segundo colocado.
Com a sua 22ª vitória no Campeonato Brasileiro,
sobre o América de Natal, o time do Morumbi selou
o pentacampeonato nacional.