| Inter
empata e conquista título inédito
Por Marcelo Belpiede
Foto: Fernando
Pilatos/Gazeta Press |
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| Após 26 anos amargando o
vice de 1980, a taça da Libertadores vai para o
complexo do Beira-Rio |
Sem deixar qualquer dúvida de suas qualidades, o Internacional
agüentou bem a pressão, empatou por 2 a 2 com
o São Paulo e conquistou o título inédito
da Copa Libertadores da América, nesta quarta-feira,
no Beira-Rio. Mantendo o espírito lutador que marcou
sua trajetória nos últimos anos, o Tricolor
brigou até o final, mas teve de se contentar com o
terceiro vice-campeonato de sua história (1974, 1994
e 2006).
Fernandão e Tinga marcaram os gols do Colorado, que
administrou bem a vantagem adquirida na vitória do
Morumbi, na semana passada. O Tricolor deu trabalho e empatou
o jogo duas vezes em Porto Alegre, com gols de Fabão
e Lenílson. Por muito pouco a partida não foi
para a prorrogação.
Rogério Ceni e Clemer falharam feio no confronto e
cederam gols para os adversários. Tinga foi expulso
na metade do segundo tempo por ter levantado a camisa na comemoração
do segundo gol colorado. A desvantagem numérica tornou
a conquista do time gaúcho ainda mais heróica.
O jogo
O São Paulo começou pressionando e
o Inter entrou com três zagueiros, recuado, abusando
das faltas. O árbitro não se acanhou e mostrou
logo dois cartões amarelos para os jogadores colorados
(Jorge Wagner e Fernandão).
Lugano perdeu um gol incrível e Danilo colocou Clemer
para trabalhar. Aos poucos o Inter se acalmou e procurou trabalhar
com a bola nos pés. Rafael Sóbis e Fernandão
tiveram uma chance cada e obrigaram Rogério Ceni a
sair do gol.
Quando o jogo esquentava, a torcida colorada exagerou nos
fogos de artifício e o árbitro foi obrigado
a paralisar a partida por mais de cinco minutos por causa
da fumaça que cobriu o gramado.
Após o recomeço da partida, a torcida do Internacional,
que lotou o Beira-Rio, teve o que queria. Rogério Ceni
falhou e soltou bola cruzada. Fabiano Eller foi esperto e
desviou para Fernandão marcar, aos 29 minutos: 1 a
0.
Com a calma de quem venceu o primeiro jogo e saiu na frente
no segundo, o Internacional melhorou ainda mais seu toque
de bola e passou a dominar o jogo. O São Paulo foi
tomado pelo nervosismo e passou a exagerar nos passes errados.
Apesar de precisar de dois gols para levar a decisão
para a disputa por pênaltis, Muricy Ramalho não
alterou a equipe no intervalo e sua calma deu resultado. Aos
5 minutos, Lugano desviou de cabeça dentro da área.
A bola sobrou limpa para Fabão empatar o jogo: 1 a
1.
O gol recolocou o São Paulo no jogo e foi a vez do
Internacional perder a tranqüilidade. Muricy sentiu que
era a hora de ousar: Lenílson e Thiago entraram nas
vagas de Danilo e Richarlyson.
Passado o susto inicial do empate, o Internacional se acalmou
e voltou a equilibrar o jogo. O São Paulo, no entanto,
continuava buscando mais o jogo.
O ímpeto do São Paulo não foi recompensado
e Fabiano Eller apareceu pela direita para cruzar. Fernandão
cabeceou, Ceni rebateu e o centroavante do Inter cruzou para
trás na cabeça de Tinga.
Livre, o meia definiu a partida e comemorou bastante, levantando
a camisa e cobrindo o próprio rosto. Seguindo as recentes
orientações da Fifa, o árbitro Horacio
Helizondo advertiu o jogador do Colorado. Como já tinha
um cartão amarelo, Tinga foi expulso.
Novamente precisando de dois gols e agora com um homem a
mais em campo, Muricy Ramalho sacou Edcarlos e escalou Alex
Dias, seu quarto atacante. Abel Braga reforçou a defesa
com Ediglê no lugar de Sobis.
A pressão foi grande, mas o Internacional se agüentou
bem, marcando com atenção e deixando o São
Paulo trocar passes longe da grande área. Uma falha
incrível de Clemer, no entanto, deixou a partida ainda
mais dramática.
Aos 39 minutos, Júnior chutou, o goleiro do Colorado
largou e Lenílson só empurrou a bola para o
fundo do gol, deixando a partida novamente empatada. Até
o último segundo a tensão foi enorme em ambos
os lados até que Horacio Elizondo apitasse e decretasse
festa para a metade vermelha do Rio Grande do Sul.
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